segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A respeito da obra "A Moreninha"...

"Filipe convida seus amigos a passar o fim de semana, a véspera e o dia de Sant'Ana, na casa de sua avó, que mora em uma ilha. Fabrício e Leopoldo topam de imediato. Augusto, reticente, só se anima a ir quando Filipe diz que suas primas e sua irmã provavelmente estarão lá também. Namorador inconstante, Augusto é desafiado por Filipe e seus amigos, que lhe propõem uma aposta: que ele voltará da ilha apaixonado por uma das moças."

A Moreninha é uma obra estritamente romântica de um dos precursores dessa escola literária no Brasil, Joaquim Manuel de Macedo.
A obra é narrada em terceira pessoa e apresenta um narrador-onisciente, Augusto, que em alguns momentos se intromete na história, dando sua opinião e mostrando seus pensamentos.

"Eu já era, pois, um mancebo. Meus pais nada poupavam para me educar convenientemente, aprendia quando me vinha à cabeça."

Há uma linearidade no tempo, ou seja, trata-se de um tempo cronológico, que ocorre em exatos trinta dias (justamente os dias da aposta). Por trás dessa linearidade, Macedo propos uma crítica à sociedade da época, como por exemplo, ele faz menção ao trabalho escravo e a castigos corporais, bem como, o amor entre jovens, que nessa época o casamento era um fruto de comércio entre seus pais. Eis uma das caracteristicas românticas já presentes na obra: a crítica à sociedade da época. Ao longo da leitura nota-se ainda, a ideia de mocinho e mocinha, com Augusto e Carolina e todo o amor idealizado vivido por eles, mas que no final teve um lindo final feliz.

Não posso deixar de citar algumas belas frases presentes na obra:

  • "O meu único delito é ter sabido amar o ingrato com exagero extremo"

  • "O certo é que eu sou e quero ser inconstante com todas e conservar-me firme no amor de uma só."
  • "...porém sei amar ao extremo"

  • "Ah! O amor é um demoninho que não pede pra entrar no coração da gente, e hóspede quase sempre importuno, por pior trato que lhe dê, não desconfia, não se despede, vai-se colocando e deixando ficar sem vergonha nenhuma."

  • " ...e o amor, mais forte que seu espírito, exercia nele um poder absoluto e invencível"

  • " O amor é um anzol que, quando se engole, agadanha-se logo no coração da gente, donde, se não é com jeito destravado, por mais força que se faça mais o maldito rasga, esburaca e se aprofunda"

Não deixem de ler essa clássica obra de nossa literatura!


by Ana Amorim